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#5 “Tudo está alinhado com a Estratégia!”



Os objetivos por departamento ou por unidades funcionais decorrem das estratégias funcionais aquando do processo de planeamento estratégico e, normalmente, alinhados e formalizados no plano de negócios ou plano operacional. Cabe aos líderes funcionais, de acordo com as grandes orientações do plano estratégico e objetivos estratégicos, definirem com as suas equipas os objetivos e planos de ação da sua área de responsabilidade.

Miguel Silva em Julho 2021




Perfeito! Atingimos a perfeição empresarial divina. Assim sendo, precisamos apenas de um grande pensador e comunicador e podemos prescindir de todos os gestores em todas as áreas e, se todos cumprirem o plano, todos os objetivos são atingidos e o sucesso garantido.


Felizmente que a realidade não é esta e se trata de uma utopia concetual. A verdade é que as medidas e regras para assegurar o alinhamento estratégico deve, tanto quanto possível, ser garantido no decorrer do processo de planeamento estratégico e formalização do plano operacional, mas é no terreno, no dia a dia, que as coisas acontecem.


De forma alguma devem ser ignoradas insuficiências de informação e eventuais erros de análise no decorrer do processo, mas acima de tudo ter em conta que a estratégia é definida num determinado contexto e ambiente que na verdade é dinâmico e cada vez mais dinâmico. Muito do que é hoje, amanhã mudou.


Por outro lado, praticamente a totalidade da execução é feita por pessoas ou sob supervisão de pessoas. A reflexão relevante neste domínio seria: O comprometimento das pessoas está alinhado? Não se alinham pessoas com estratégia, mas sim o seu comprometimento e esta será talvez a tarefa mais difícil do líder empresarial.


Uma outra reflexão com inequívoca necessidade de ser identificada a resposta é: Existe capacidade para executar? É que se não, a questão crítica não é alinhamento com a estratégia, mas sim o alinhamento da capacidade de execução instalada com a estratégia definida. Continuo a acreditar que, a maioria das pessoas não executa bem porque não quer, mas sim porque não tem capacidade. Garantir o alinhamento estratégico é também trabalhar e desenvolver capacidades.


É normal e comum que o alinhamento não esteja garantido. Ou por oportunidades de melhoria no planeamento, quer por dificuldades na implementação, a realidade é que existem sempre “pontas soltas”, ajustes a fazer e oportunidades de melhoria a implementar. Muitas das vezes, esta é uma das questões centrais na execução da estratégia: Como posso mudar o que não conheço? Como posso conhecer se não controlo? O controlo, tal como já falámos na questão #2 “A Gestão por Objetivos é a filosofia basilar da minha empresa!“, é essencial para o processo de implementação da estratégia e consequente garantia de alinhamento.


Quando se afirma “Muito do que é hoje, amanhã mudou”, falamos dos consumidores e cliente, mas falamos também da concorrência. Ouço regularmente e inclusive partilho em parte “Não quero saber da concorrência! A concorrência faz o seu caminho, nós fazemos o nosso!” Sim e Não! Acho que abaixo da linha de água desta expressão estão duas questões centrais: Não valorizar internamente muito a concorrência para manter níveis motivacionais adequados e não permitir que a concorrência passe a ser o azimute.


Nestas duas razões estamos de acordo, exceto se a estratégia da empresa for claramente de seguidor. Onde acho que realmente esta posição se torna redutora é que, tal como nos clientes, é bom ter concorrência e não estar sozinho. É a única forma dos clientes e nós próprios tomarmos consciência daquilo em que somos bons ou melhores, bem como daquilo que temos que fazer para melhorar.


No contexto atual, a existência de Sistemas de Business Intelligence, não é mais uma questão de opção instrumental, mas sim de subsistência.


Decorrente destas questões centrais, alinhamento e melhoria contínua seguem juntos na caminhada. Nem o planeamento é perfeito, nem a execução é exímia. É da constante monitorização e aprendizagem quotidiana que se garantem as sinergias e a alimentação de um ciclo de evolução e redução da margem de erro.


A garantida de alinhamento estratégico não é uma questão procedimental, mas sim um trabalho diário e contínuo de comunicação, liderança, aprendizagem e feedback a todos os níveis dentro e fora da organização.



No próximo artigo partilhamos algumas reflexões sobre #6 Temos os melhores recursos?


Miguel Silva
Senior Consultant