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#6 “Temos os melhores recursos!”



Por definição, recursos são um conjunto de ativos colocados à disposição ao serviço da estratégia para a sua execução, materializar a Visão e Missão e atingir os objetivos e o propósito de existência.

Miguel Silva em Agosto 2021




Ouço com alguma regularidade “Até podíamos crescer mais, mas temos poucos recursos”.


Confesso que ficou sempre um pouco intrigado com esta afirmação. Das duas uma: ou estamos perante um deficiente planeamento estratégico onde a aprendizagem e a comunicação no seio da organização são ineficientes, ou as coisas não são bem assim.


Numa abordagem clássica resources based approach, tradicionalmente os recursos são o Capital, os Recursos Humanos e os Recursos Tecnológicos que estão disponíveis para serem utilizados na execução da estratégia. Nos três grupos, evidentemente o poder de intervenção é diferente em função do nível organizacional, mas existem duas verdades absolutas nesta questão: todos usam diariamente os recursos da empresa e cabe ao líder máximo assegurar os recursos necessários para a execução da estratégia.


Na verdade, duas das características dos recursos são, primeiro, que são por definição limitados e não faria sentido ser de outra forma pois por si levaria a uma situação de total desadequação estratégica. Segundo, são para ser geridos.


É nesta segunda dimensão que se centra essencialmente a questão central da não execução da estratégia. Imagine-se, no âmbito da estratégia militar, que o comandante decide colocar um atirador exímio como batedor e um batedor como atirador de retaguarda. Não parece muito lógico pois um está habituado ao confronto e colocado onde não há inimigos perto e o outro, especialista em atacar à distância, vê-se obrigado a lutar com armas de curta distância que nem sequer sabe manobrar. Para além disso, parece ser que os dois tipos de militares serão para ser usados em diferentes cenários de guerra, muda o cenário, muda a estratégia.


No exemplo anterior abordámos dois conceitos que, muitas das vezes, facilmente confundimos: capacidades e competências.


As capacidades do atirador são manobrar uma arma de longa distância e do batedor de reconhecer o terreno e reagir no momento se necessário. A competência reside na integração dessas capacidades na eficiência no campo de batalha. Imaginemos uma empesa que é muito boa a desenvolver produtos e é muito boa em produzir produtos, mas não tem sucesso no lançamento de produtos novos. Provavelmente não desenvolveu a competência de integrar todas estas capacidades num processo eficiente de introdução de novos produtos.


Na verdade, as empesas deverão ser capazes de desenvolver competências centrais, ou seja, utilizar as diversas capacidades em processos eficientes, fazer bem. Mas, acima de tudo, deverão ser capazes de fazer essas competências centrais melhor que a concorrência, ou seja, transformar as competências centrais em competências distintivas, capitalizando assim os seus recursos disponíveis em vantagens competitivas.


Uma das principais razões para a dificuldade de execução da estratégia reside precisamente na política e habilidade em gerir os recursos disponíveis e, acima de tudo, da sua própria gestão de forma visionária, logo estratégica, logo de forma alinhada como vimos em #5. “Tudo está alinhado com a Estratégia!”.



No próximo artigo partilhamos algumas reflexões sobre #7 Gestores e equipas são bem remuneradas e recompensadas?


Miguel Silva
Senior Consultant