#9 “Temos os melhores sistemas de informação e estamos sempre a aprender!”



Perfeito! Um dos grandes desafios, quer a nível de competências técnicas, quer de recursos financeiros, é dotar uma empresa de sistemas de informação completos, ágeis e que conduzam à rápida e correta tomada de decisão e aumentem a produtividade.

Miguel Silva em Fevereiro 2022




Não há muito tempo, numa reunião com um líder empresarial, o mesmo disse: “Investimos um valor considerável este ano num sistema CRM para tentar melhorar a produtividade em geral. Vieram cá os senhores do software e em apenas 3 meses puseram tudo a funcionar. Passaram já 6 meses e não noto muitas alterações e, a maioria das pessoas, queixam-se que este novo sistema só dá trabalho a preencher e como fazíamos antigamente é que era bom e, pior ainda, que não têm tempo para visitar novos clientes”.


Confesso que desta vez não fiquei muito surpreendido. Estamos perante uma das questões mais sensíveis e críticas naquilo que são os desafios no curto e médio prazo das empresas ao dia de hoje.


O Capital Humano e a Gestão do Conhecimento sempre foi e estou em querer que sempre será uma das maiores preocupações e incertezas do líder empresarial.


Muitas das dificuldades associadas à Gestão do Conhecimento estão intimamente ligadas ao nível de formalização dos processos. Naturalmente que em organizações mais jovens ou de menor dimensão, tendencialmente os processos são mais flexíveis e muito baseados na pessoa e na forma como a mesma considera ser a melhor para executar. Já em organizações com maior dimensão tende-se a um maior nível de formalização dos processos reduzindo o impacto potencial negativo numa eventual alteração de quem desempenha a tarefa.


Não existem mundos perfeitos e tudo tem vantagens e desvantagens, mas o denominador comum deverá ser que, independentemente do nível de formalização, a informação gerada deverá ser organizada, armazenada e analisada.


Esta questão remete-nos a outras duas questões relevantes quanto à utilização de sistemas de informação de apoio à decisão e à execução da estratégia: a primeira é se existem recursos tecnológicos adequados para a gestão da informação e, em segundo lugar, se realmente a empresa e os seus gestores são data-driven, ou seja, se consideram que a gestão devem ser essencialmente exercida com base em dados e informação concreta ou se deve predominar a essência das decisões empíricas baseadas na experiência?


A gestão da informação constitui aos dias de hoje uma das maiores oportunidades de desenvolver competências distintivas, como já falámos em #6 “Temos os melhores recursos?”, e que permitam à empresa criar vantagens competitivas num mundo cada vez mais digitalizado e data-driven.


A complexidade reside também em fatores como coexistência de gerações com diferenças abismais, umas totalmente “digitais”, outras ainda “analógicas”. Umas treinadas para a aquisição gradual e incremental de conhecimento, outras que apenas gerem informação e a usam quando necessário. Umas habituadas a dar 10 para receber 1 e outras formatadas para dar 2 para receber 1 e nada mais dar depois disso. Umas esperam receber o conhecimento, outras procuram-no incessantemente.


Por outro lado, a quantidade de informação gerada nos dias de hoje é abismal e gigabytes e gigabytes de dados têm que ser armazenados, tratados e analisados o que coloca sérios desafios quanto a infraestruturas e competências necessárias dentro da organização.


O paradoxo da questão é que lá fora, a exigência de clientes e parceiros corre a um ritmo alucinante que não se compadece com ritmos internos lentos de adaptação e aprendizagem, muito menos de cenários de resistência a novas tecnologias.


A gestão do conhecimento e aprendizagem, tal como já falámos em #8 “Temos os melhores líderes!”, são hoje um dos maiores desafios da liderança empresarial, quer pela necessidade de adaptação, mas principalmente pelo contributo que a aprendizagem aporta para a redefinição e adaptação da estratégia.


Não tenho dúvidas que, nos dias de hoje, um dos principais gaps de performance quanto à execução da estratégia está relacionado com a inevitável Transformação Digital e, muitas das vezes, pelo fato da mesma não ser sequer ainda devidamente considerada no processo de planeamento estratégico.



No próximo artigo partilhamos algumas reflexões sobre #10 A Administração revê regularmente a Visão e Missão com os resultados e com a aprendizagem?


Miguel Silva
Senior Consultant