A Gestão por Objetivos, por definição resume uma filosofia de gestão geral em que um conjunto de objetivos concretizados contribuem, pela sua relação de causalidade, para um conjunto de objetivos mais agregadores e que, no final, contribuem para o objetivo final de uma empresa – acrescentar valor para o acionista.
Até aqui, não há dúvidas. Retiremos agora da equação a fórmula mágica Receitas – Gastos = Lucro que, na verdade e sendo um objetivo basilar, só traduz a contribuição em massa monetária ou contabilística daquele período de exercício. O que nos sobra agora então? A realidade é que tendencialmente nos centramos e focalizamos em definir métricas quantitativas, normalmente de caráter financeiro, que contribuam para as duas parcelas da fórmula mágica e relativizamos objetivos para os reais drivers do negócio e da estratégia. Sem ação, não há resultado! Sem input não há output! Imaginemos um aluno recém-licenciado com a melhor média final do seu ano, mas que tem sérias dificuldades de relacionamento interpessoal. Esta competência social não foi eventualmente tida em conta na avaliação pela sua difícil mensuração. Como vai acrescentar valor profissionalmente se não consegue explicar o que quer e porque faz o que está a fazer?! Sem objetivo, não há critério! Sem critério, tudo é válido! O critério essencial deverá per si reunir todas as condições, como já vimos em #1 A Visão e a Missão são claras e evidentes!”, que demonstrem o contributo para a execução da Missão na persecução da Visão. A falta de tempo e a insegurança da exequibilidade e a “tentativa de agradar a gregos e troianos” conduz também muitas das vezes à fraca ou até nula formalização dos objetivos, por vezes pior ainda, uma ausência de partilha e comunicação. Ora, uma coisa é não atingir, outra coisa é não atingir e não saber o que atingir, mas o mais grave é não saber qual a expetativa e o que a empresa espera de cada pessoa, equipa, unidade funcional e no seu global. Duas questões se levantam abaixo da linha de água do tema formalização: primeiro o correto alinhamento com a estratégia e, segundo, o considerando de que as pessoas são “adversas” ao controlo. Em relação ao alinhamento, o caminho da gestão empresarial assenta, em opinião própria, no princípio da humildade intelectual. A complexidade e a atuação no domínio das ciências sociais condicionam a exatidão e a perfeição, principalmente do diagnóstico, da análise e do planeamento. A atitude basilar deverá ser aprender com os erros e melhorar todos os dias, assumindo os mesmos, explicando porquê e contribuindo para um melhor conhecimento do negócio a nível global e estratégico. Já quanto ao controlo, a questão central está a montante e não no fato em si. A verdade é que pessoas que entendem o porquê das coisas, o que se espera e como chegar lá encaram os pontos de situação como um momento de partilha, feedback e base para o passo seguinte, mais do que um momento de julgamento. Trabalhar apenas com objetivos quantitativos ou mesmo sem objetivos é o mesmo que navegar num barco à vela no Oceano Pacífico junto ao Equador. No próximo artigo partilhamos algumas reflexões sobre #3 A Estratégia está bem definida e formalizada?
Miguel Silva
Senior Consultant & Managing Partner
O caminho do líder empresarial, enquanto gestor, é solitário e pleno de dúvidas e incertezas!